Capítulo III – A Ilha do Exílio

•22 de março de 2010 • 1 Comentário

Senti uma brisa passar pelo meu rosto. Acordei-me, mas não completamente. Sentia uma leve dor de cabeça, estava com ressaca por causa da droga que Jasmim usara para me fazer adormecer. Fui recobrando os sentidos aos poucos, já enxergava normalmente, mas meu corpo estava parcialmente adormecido.

Apoiei-me nos braços e me levantei um pouco. Estava numa cama dentro de um barraco de madeira. Não tinha móveis, apenas a cama. Tinha uma porta e uma janela. A madeira das paredes tinha algumas rachaduras e algumas marcas de umidade.

Percebi que não estava usando minhas roupas de antes, jeans e casaco preto e sim, uma camiseta branca e uma bermuda havaiana preta com desenhos de flores azuis. Continuava com meus All Stars brancos.

De repente, entrou um ser que parecia ser um adolescente, mas definitivimante, não era. Seus cabelos eram prateados, tinha orelhas de cachorro, pelos no corpo todo, da mesma cor dos cabelos. A face era limpa de pelos a não ser pelas grossas costeletas. Seus olhos eram castanho escuro, usava apenas uma bermuda jeans surrada. Tinha um furo atrás para que o rabo do cachorro-homem pudesse “respirar”.

Como que por reflexo, e eu entendo de reflexos, eu comecei a procurar minha espada no bolso, mas nem sinal dela.

— Sempre o velho preconceito! — disse a criatura.

— Quem é você? — balbuciei.

— Meu nome é Jonny. Sou um Canimô, não um monstro. Pode se acalmar. — Ele se sentou nos pés da cama.

Notei que ele tinha mãos humanas bem peludas, mas seus pés eram de cachorro. As unhas da mão pareciam escondidas como se ele tivesse garras.

— Canimô? — perguntei.

— Sou meio humano, meio cão. Você esteve dormindo por sete dias. — disse Jonny, o Canimô olhando para o teto.

— Sete dias?! Oh meu Deus! Drake! Ele…

— Relaxa, cara. Você está muito tenso. Sério. Drake está desaparecido desde que descobriram que você é um caçador, sabe? Ele sumiu do mapa. Eles achavam que você estava morto.

— Quem achou…

— O conselho dos Caçadores achou que você estava morto, mas não tinha muita importância, afinal, não é normal o filho herdar a maldição do pai, geralmente é do avô, ou bisa. — respondeu Jonny.

— Que maldição? Eu não… você pode me explicar melhor? — falei com dificuldade.

Jonny, o adolescente cachorro, levantou uma sobrancelha. Depois abriu um largo sorriso mostrando seus dentes.

— Aparentemente, Drake não lhe ensinou quase nada sobre si mesmo. Então ta, irei lhe explicar tudo. Mas não aqui. Que tal irmos passear na praia?

Estávamos em uma ilha muito linda. Parecia um cartão postal do caribe. A praia tinha areia branca, a água que nos cercava era límpida e verde, tão limpa, que quando você entrava na água, podia ver seus pés perfeitamente.
Jonny e eu nos sentamos bem na beira, as ondas que quebravam na praia às vezes molhavam nossos pés. O barraco onde eu acordara ficava bem perto de onde estávamos naquele momento.

— Que ilha é essa? — perguntei a Jonny.

— A ilha do exílio. — respondeu-me sem tirar os olhos do horizonte. — Quando um caçador não registrado é descoberto, ele é mandado para cá. Você precisa saber de toda história para compreender o que passa com você neste momento muito louco da sua vida.

— Você pode me ajudar a compreender, Jonny?
Por um tempo, ficamos apenas escutando as ondas quebrarem. O dia estava lindo, quase nenhuma nuvem no céu e um sol brilhante que estava prestes a se por. Jonny observava o horizonte apreensivo. Eu olhava pra ele esperando uma resposta. Por fim, ele respirou fundo e disse:

— Beleza. Limpe seus ouvidos cheios de cera que vou te contar tudo que você precisa saber até o momento.

“Desde os tempos mais primórdios, Equidna e Tifón vem gerando monstros. Monstros não tão poderosos como o pai, nem tão inteligentes quanto à mãe, mas bastante perigosos. Criaturas como: vampiros, dragões, ogros, etc.

Conforme o tempo foi passando, heróis apareceram na história para matá-los. Foram adicionados na história como deuses, heróis, que é o caso de Heracles ou Hércules. Ele era um caçador de monstro que matou os maiores monstros da história, a Hydra, o Leão de Nemeia, e por aí vai. Aparece nas histórias como semideus, filho de Zeus com uma mortal, mas isso era o que o povo acreditava.

Conforme o tempo passava, novos personagens eram adicionados a história, todos matando monstros e a maioria acrescentada a uma religião. Depois de anos em que os caçadores lutavam por si sós, Gill Mark, fundou A Ordem dos Caçadores.

Junto com a ordem, foi criado o conselho. O conselho que defini o que deve ser feito em relação as decisões de caçadores. Missões, casos de exílios, etc.

Agora, vou explicar a maldição dos caçadores. Como você já deve saber, os Caçadores de Monstros não se tornam Caçadores de Monstros, é sua linhagem familiar que decidi isso.

Mas existe um fato interessante, nunca acontece de um pai caçador ter um filho caçador. Não, geralmente se passa três gerações para que nasça um novo amaldiçoado. Seu pai era um caçador, assim como seu tataravô. Passaram-se duas gerações para que nascesse um novo caçador na sua família.

Porém, quando você nasceu, ninguém podia suspeitar que você seria um caçador de monstros, seus tataranetos é que deveriam ser. O que aconteceu com você é muito raro, portanto, quando sua casa explodiu, achou-se que você tinha sido morto. O que não era muito importante, afinal, você não deveria ser um caçador.

Passaram-se alguns anos, quatro pra ser mais exato, e há três semanas, você matou um vampiro. Foi quando descobrimos que você estava vivo, e que não havia sido treinado da maneira correta. Drake é um ex-membro da ordem, ele foi legalmente treinado por seu pai, ou seja, o conselho determinou que seu pai devia treiná-lo. Drake foi expulso há cinco anos por ter ido a uma missão não autorizada e falhado. Seu pai lutou para que não fosse expulso, mas aconteceu.

Quando o conselho soube que Drake, um caçador não autorizado a treinar alguém ou a matar algum monstro, havia lhe treinado, eles te exilaram nessa ilha e prenderam-no. Destruíram as espadas de ambos e, agora, seu futuro está nas mãos do conselho.”

Jonny havia me contado tudo com muita calma. Eu havia entendido tudo. Meu pai treinou Drake, e Drake me escondeu da ordem. Ele havia enganado o conselho duas vezes, e agora, eu era um exilado.

Isso, sem falar, que minha espada fora destruída. Eu não estava bem com aquilo, era como se um pedaço de mim fosse-me arrancado. Drake cometera um erro ao me treinar. Aparentemente, meu treino havia sido muito ruim.

Havia muita coisa que eu não sabia. Eu tinha toda noção de esgrima, táticas de batalha, mas na teoria eu era um ovo. Não sabia quase nada sobre monstros, não sabia da existência da ordem ou do conselho, não sabia da história dos caçadores, não sabia que eu não devia ter nascido, e mais uma série de coisas. E agora, eu poderia ficar naquela ilha pelo resto de minha vida. Eu não queria culpar Drake, mas no fundo eu sabia, que era culpa dele sim. Ele foi irresponsável e quem ia pagar era eu.

Engoli em seco. Digeri toda informação. Estava exausto. E com raiva.

— Ficarei nessa ilha pra sempre, Jonny? — perguntei. Minha voz não soou muito feliz. Jonny me olhou penosamente.

— Não, cara! Olha só, você está aqui temporariamente. Apenas para que não cometa nenhuma burrada em quanto o conselho determina qual vai ser sua situação. Você pode ficar aqui tanto dias, quanto horas…

— Tanto meses, quanto anos. — completei.
O sol se escondia atrás do horizonte naquele momento. Jonny continuou olhando o mar.

— E quanto a minha espada? — perguntei.

Jonny me olhou como se estivesse com pena.

— Sua espada, na verdade, não era sua espada. Era a espada de seu pai. As espadas dos caçadores devem morrer junto com eles, no caso, a espada de seu pai deveria ter sido destruída junto com seu pai.

— Então, eu nunca mais vou possuir uma espada?

— Se o conselho decidir que você pode continuar sendo um caçador, você irá forjar sua própria espada. Pode não ser tão boa quando a de seu pai que podia se transformar de empunhadura a uma espada completa, mas será como uma parte de você.

— Eu sentia como se a espada de meu pai fosse parte de mim.

— Será diferente. A espada de seu pai era parte de você porque você sempre usava ela. É como quando você tem um relógio e está sempre olhando as horas, quando você perde o relógio, as vezes acaba olhando pro pulso sem nada, não é? É como se ele fosse parte de você.
Jonny parou por um momento, então prosseguiu:

— Com uma espada que você mesmo forjou, você sentirá como se sua alma estivesse naquela espada. É sinistro!

Pela primeira vez em algumas semanas, eu consegui rir. Jonny pareceu feliz com seu feito.

— Escute, Jonny, qual é sua função? — perguntei.

— A mesma função de todos os Canimôs — ele respondeu. — Temos que guiar Caçadores mais novos, às vezes os acompanhamos em missões. Eu já fui em duas. Uma em que um caçador de dezesseis anos tinha que matar um basilisco, e outra em que uma caçadora de treze matou um touro infernal. Agora, estou aqui como seu guia.

— Quais são as habilidades de um canimô?

— Vejamos, eu posso correr muito rápido, como um cão, saltar alto, como um cão, farejar coisas, como um cão e tenho garras.

Ele estendeu as mãos. As unhas se transformaram em garras, não do tamanho de espadas como as dos vampiros, mas do tamanho de uma faca.

— Show!

— É — disse ele “guardando” as garras.

Novamente, ficamos em silêncio, as atenções voltadas para o mar.

O sol já estava quase desaparecendo no horizonte. Logo seria noite.

— Será que ficarei aqui por muito tempo? — perguntei pensativo.

— Não. — respondeu Jonny rapidamente.

— Como você tem tanta certeza? — perguntei incrédulo.

— Lá vem a sua carona, ó!

Ele apontou com o dedo peludo para o horizonte. Eu demorei pra ver o que ele via, mas logo me dei conta do que era. Um barco. Um barco que carregava uma bandeira. A bandeira tinha um símbolo:

Um “C” sobre um “M”.

Capítulo II – Quando As Coisas Ficam Feias

•17 de março de 2010 • Deixe um comentário

As semanas seguintes passaram normalmente. Enquanto Drake ficava de repouso em casa, eu seguia indo ao colégio todos os dias. Acho que não comentei o fato de que freqüento uma escola, não é mesmo? Pois eu freqüento.

Colégio John Smith III. Não era o cara com mais amigos naquela escola porcaria, pra falar a verdade, nunca tentei fazer nenhum. Acho que tento me manter longe de adolescentes normais pelo fato de não ser um. Costumava a ser o alvo preferido de alguns valentões, mas eles começaram a me respeitar com o tempo. Pra eles, eu era o garoto magrelo e solitário que não queria ser incomodado por ninguém. Não tinha descrição melhor.

Bom, Drake estava de cara amarrada naquelas últimas semanas. Parecia pensativo, como se precisasse bolar um plano de como escapar da polícia. Drake estava com a barriga toda enfaixada e não estava com muito ânimo para me ensinar nada novo sobre o incrível e assustador, mundo dos monstros.

Eu, então, seguia uma rotina normal. Ia pra escola, voltava pra casa, fazia alguma atividade de lazer e dormia. Tudo corria bem aqueles dias, mas minha paz estava prestes a acabar.

Tudo começou quando uma aluna nova adentrou a minha sala de aula junto com a diretora do colégio. Ela era bastante bonita, tinha longos cabelos castanhos lisos e olhos bem azuis. Usava casaco e jeans, e mantinha uma expressão de poucos amigos.

— Essa, alunos — começou a Sra. Smith, a diretora, mulher do dono do colégio, John Smith — é a Jasmim. A aluna nova. Dêem olá para Jasmim, crianças!

— Olá, Jasmim! — Falou a classe em couro. Eu fiz questão de não abrir a boca. A diretora sorriu para turma, depois para Jasmim e disse:

— Essa — apontou para a professora — é a Senhorita Morgan. Tenho certeza que ela lhe achará um lugar para que você possa desfrutar de sua fabulosa aula.

— Que seja — disse Jasmim. A Sra. Smith pareceu ofendida. Eu, por alguns momentos, gostei de Jasmim. Afinal, eu odiava aquela mulher irritante.

— Bom, tem um lugar bem ali, querida — a Senhorita Morgan apontou para uma carteira vazia a umas duas carteiras de distância da minha.

Jasmim foi até a carteira ignorando as caras e bocas que a Sra. Smith fazia. Ela jogou sua mochila nas costas da carteira e se esparramou pelo assento da carteira.

— Bom, acho que é só. — A diretora forçou um sorrisinho. — Prossiga com a aula, Clarisse. — E se retirou.

A aula de matemática correu normal. Na aula de ciências, o professor queria que fizéssemos um sal de cozinha. Não demorou para que algum abobado explodisse seu trabalho e a gente tivesse que evacuar a área. Depois era hora do intervalo.

O colégio tem uma série de jardins. O meu preferido é o que possui um chafariz em seu centro e um gramado verde e bem fofo. Além disso, ninguém vai naquele jardim. Costumo me deitar perto da fonte e relaxar.

Comecei a estranhar as situações quando vi Jasmim sentando-se na grama, a poucos metros de mim. Ela nem sequer me olhou, apenas abriu seu livro, um com uma capa preta e o que parecia ser uma maça estampada. Não li o título, mas acreditava ser um livro de culinária.

Resolvi ignorar sua presença, e continuar com meus pensamentos. Deitei e fechei meus olhos. Aconteceu em uma fração de segundos. Ouvi um ruído, meus sentidos e reflexos apurados, me ajudaram a pegar uma pedra que vinha na direção do meu rosto. Me levantei procurando o atacante, obviamente fora Jasmim. Procurei ela, mas ela já não estava mais no jardim.

Ela não apareceu nos períodos após o intervalo, o que eu achei estranho. O sinal que indicava que eu já podia ir pra aula, tocou em uma hora muito boa, na hora em que eu pensava em enfiar minha caneta bic na garganta se o professor de história falasse mais um “né, pessoal?”

Juntei minhas coisas e fui embora. O apartamento onde eu e Drake moramos não é muito longe da escola, deve ficar a umas três quadras e um pouquinho. Depois de dar um “olá” para o porteiro do prédio, subi o elevador até o quarto andar do apartamento, cheguei ao número quatrocentos e três, e entrei no apartamento.

Drake e eu moramos em um apartamento simples: um quarto, uma sala, uma cozinha, um banheiro e um deposito. Eu durmo na sala, no sofá cama, o deposito é cheio de armas e equipamentos, a estante da sala é cheia de livros, todos falando de monstros, e o bar é enfeitado com alguns ossos de Orc. Muito limpos, diria eu.

Quando cheguei, Drake estava sentado em sua poltrona, vendo televisão. Ele me olhou quando me atirei no sofá depois perguntou:

— Alguma coisa nova na escola?

— Só uma aluna nova. O nome dela me lembra uma flor, ou algo assim…

— Rosa? Violeta? — Chutava Drake.

— Jasmim — lembrei. — Ela tem cara de poucos amigos.

— Que legal, que legal…

Drake trocava os canais da televisão sem parar. Aparentemente, não tinha nenhum programa interessante. De repente me lembrei de algo.

— Tentaram me assassinar hoje.

— O QUÊ?! — Drake teria pulado de sua poltrona se não fosse seus machucados.

— Relaxa. Eu exagerei um pouco, ok?

— O que aconteceu exatamente? — Disse ele se endireitando na poltrona fazendo algumas caras de dor.

— Ah, eu estava deitado no jardim do chafariz, aí a aluna nova veio e começou a ler um livro perto de mim. Aí, quando eu fechei os olhos, senti que alguém tinha jogado alguma coisa na direção do meu rosto. Consegui apanhar uma pedra, bem no ato, mas Jasmim já não tava mais lá.

— Interessante…

Drake pareceu realmente interessado, foi aí então que percebi, mesmo, que tinha alguma coisa muito errada.

Conforme os dias se passavam, eu ficava cada vez mais desconfiado. Jasmim não aparecia mais na aula, Drake parecia ficar cada vez mais preocupado e sempre na hora da saída, via homens com óculos escuros e ternos pretos no lado de fora.

— Legal, sou procurado pela Cia, agora!

Meus pensamentos podiam não estar certos, mas acho que qualquer adolescente que tem uma vida secreta, quase fora da lei, pensaria o mesmo. Mas tudo começou a ficar claro.

Eu estava na sala de aula fazendo o que sempre fazia: dormindo. Ouvi um baque, e despertei. Olhei para a professora, e congelei. Os homens de terno preto que eu tinha visto, não eram homens.

Uma coisa que costuma me irritar nas pessoas comuns, é que monstros passam despercebidos por elas. Os monstros conseguem usar algum tipo de aparência que engana o cérebro humano comum, mas não o dos caçadores. Orelhas pontudas, pele levemente enrugada, dentes pontudos… Goblins.

— Ele está ali — a professora apontou pra mim. Como que se fosse ensaiado, os Goblins viraram a cabeça pra mim, todos ao mesmo tempo. Eram seis, grandes e parrudos, o tipo de cara com a qual você não meche com a namorada.

Eles começaram a vir na minha direção. Tinha que agir. Pulei da minha carteira e saquei a empunhadura de Cortapapel no meu bolso e a ative. A espada de aço fundida com diamante brilhou em minha mão. Os goblins nem sequer se assustaram. Eu devia ficar magoado com isso, é um tipo de insulto a um caçador quando o monstro não faz nem um “Ooh!” quando vê sua lâmina.

Eu não tinha tempo de fazer um discurso de como me senti mal com tal ofensa, meus colegas olhavam aterrorizados para a minha espada e os goblins vinham em minha direção. Corri até a janela no fundo da sala, graças a Deus estava aberta, e então pulei.

Caí de pé, e saí correndo. A janela dava para fora dos limites do colégio, ou seja, eu estava na rua. Já estava a uns 5 metros do prédio quando os goblins saltaram pela janela e começaram a me perseguir com dificuldade. Uma coisa que eu nunca me esquecera sobre os goblins é que seus pés têm uma característica interessante, eles têm dois pés em cada perna, um pé para frente e outro para trás.

Enquanto eles me perseguiam correndo de modo esquisito, eu corria em uma velocidade incrível, sempre fui bom corredor. Mas eu estava começando a ficar encrencado de verdade, parecia chover goblins! Aparentemente, eles saltavam dos topos dos prédios pela qual eu passava. Não fosse eu ser ótimo em me desviar de obstáculos, eu teria trombado com uma daqueles Freddie Krueger de terno preto.

Meu objetivo era chegar ao apartamento, mas eu sabia que eu não conseguiria tão rápido. Conforme os monstros caiam e eu me desviava deles, eu notava que eles estavam me forçando a fazer um caminho já definido.

Minhas suspeitas se confirmaram quando adentrei um beco sem saída. Pelo menos cem goblins nas minhas costas. Era eu e uma centena de goblins em um beco escuro. Foi aí que notei uma presença.

Atrás de mim, escorada na parede do beco, uma garota. Cabelos castanhos, olhos azuis, expressão de poucos amigos e um sobretudo preto.

— Jasmim…  — balbuciei.

— Olá Freddy. Acho melhor guardar seu brinquedinho.

A arma me foi arrancada por um dos goblins. Foi muito rápido, dois goblins me agarraram os braços e me imobilizaram. Eu não ia me deixar vencer. Posso dar um elefante para não entrar em uma briga, mas dou uma manada para não sair!

Fiz força com os braços, os puxei para baixo com tremenda força que os dois goblins voaram pelo beco até baterem na parede. Me virei para os outros. Eles vinham de dois em dois. Nocauteei vários, pelo menos mais uns sete, mas então senti uma forte dor nas costas. Procurei a fonte da dor, tinha sido atingido por uma flecha.

Me virei e vi Jasmim com um arco. Tudo pareceu girar. As cores de tudo a minha volta foram se fundindo, o chão começou a subir, o céu a descer, Jasmim começou a ficar com uma aparência deformada… eu estava drogado.

— Droga…

Caí no chão. O mundo girando a minha volta. Fiz força para me manter acordado. Não sentia minhas pernas, meus braços, nada. Enfim, meus olhos se fecharam involuntariamente.

Então, eu apaguei.

N/A: algumas coisas foram acrescentadas no capítulo I. Agora, as características de Cortapapel, o fato de ela ser fundida com diamante, estão explicados.

Capítulo I – Como Fazer Um Vampiro Virar Pó

•20 de fevereiro de 2010 • 1 Comentário

Me via parado em um rua escura, em frente a uma casa. Uma casa feita de madeira que, com o tempo, apodreceu. A casa parecia ter uns cem anos e estava completamente caindo aos pedaços. Havia um buraco no teto por onde a luz da lua entrava, as janelas estavam fechadas e algumas parcialmente destruídas. Havia rachaduras e pequenos buracos na parede. O pátio da casa era apenas uma grama amarela morta.

Você deve estar se perguntando o que eu fazia naquele local. Bem, comecemos por meu nome. Meu nome é Freddy Johnson, tenho 14 anos e sou um Caçador de Monstros.

Sim, Caçador de Monstros. Filhos de Equidna, mãe de todos os monstros. Vou explicar melhor, Caçadores de Monstros são seres humanos com características como: reflexos aprimorados, astúcia, força, agilidade, etc. Caçadores de Monstros não escolhem ser Caçadores de Monstros, sua linhagem familiar que decide. Meu pai era um Caçador de Monstros.

Os fatos correram muito rápido na minha vida, eu tinha 10 anos quando tudo aconteceu. Era uma noite muito chuvosa, incrivelmente negra. Faltou luz em todas as casas da vizinhança de modo que, as luzes dos relâmpagos e raios fossem a única iluminação da rua.

Estava em minha casa, eu estava na sala com meus pais. Eles eram gentis, boas pessoas. Porém, a vida secreta de meu pai nos condenou. Foi tudo muito rápido: um monstro adentrou a casa pelo teto, brigou com meu pai, minha mãe gritou,  meus instintos me mandaram ir para a cozinha e me esconder na geladeira. Ouve uma explosão. Senti a geladeira ser jogada longe e fiquei desacordado.

Horas depois, a geladeira foi  aberta e vi um homem de Cabelos cor de areia e sobretudo negro. Falou-me seu nome e me falou tudo sobre meu pai, sobre os caçadores de monstros e que eu devia me tornar um. Seu nome era Drake.

Você não imagina como recebi a noticia. Após Drake me contar tudo, eu falei algo muito inteligente do tipo: “Hã… ok.” Olhei em direção a minha casa, era uma pilha de destroços. A Geladeira estava chamuscada. Soei se soei. Fiquei paralisado. Meu pai? E minha Mãe? Quando olhei pra Drake implorando uma resposta confortante, ele apenas balançou a cabeça.

Poderia dizer que não chorei, que fui homem, mas a verdade é que lagrimas caiam do meu olho. Sofri em silêncio. Drake foi em direção aos escombros.

Drake vasculhou minha casa, e me entregou duas coisas que pertenciam a meu pai: uma colar com um pingente de prata, pequeno e redondo com as figuras de um C sobre um M e um punho de espada antigo de meu pai, apenas o punho. O punho é de metal e sua empunhadura e envolvida de couro, que acredito eu é para o conforto da mão. Eu disse: “Isso é só uma empunhadura…”, mas Drake simplesmente fez sair uma lamina brilhante e afiada da empunhadura, virando uma arma medieval mortal.

Aço fundido com diamante. Diamante é um dos materiais que pode matar um monstro. Resumindo: uma coisa pura, matando uma coisa nada pura. É muito dificil de fazer lâminas que prestem com diamantes, por isso, eles juntam com aço. Eu não sei como é o processo, mas, pelo que eu noto, só faz ficar um pouquinho mais brilhante.

Após me equipar com ambos os itens, Drake começou a me treinar. Me treinou durante 4 anos até decidir que eu estava pronto pro pergi oreal. E ali estava eu, em frente a uma casa abandonada com o meu instrutor do lado. Tinhas as mão dentro do sobretudo e olhava atento pra casa.

— Com medo, Freddy? — Disse ele por fim.

— Um pouco — respondi nervoso. — Drake, o que vamos enfrentar, esse “vampiro”, o que exatamente ele é?

— Bom, com certeza não é um cara de cabelos penteados pra trás com gel e boa pinta. Também não usa uma capa com golas, se quer saber. — Drake tirou seu maço de cigarros do bolso, retirou um e o acendeu. Tragou uma vez e me olhou. — São criaturas nojentas — disse enquanto a fumaça saia pela suas narinas. — São enormes, com garras e presas. Se eles te mordem, você não vira vampiro. A boca deles é tão grande que seu pescoço seria comido.

— Ah… Estou me sentindo muito melhor agora.

Drake me analisou por alguns segundo.

— Apenas relaxe. — Disse-me por fim. — Vampiros são fáceis de lidar, só tente não ser mordido, ou picotado pelas garras do bicho. Quando você ver que tem uma brecha, apunhale-o no lado direito do peito.

— Mas o coração fica do lado esquerdo, não é?

— Você devia estar impressionado por esta criatura ter coração — falou em tom sombrio. — Os corações de vampiro são do lado direito, não bombeiam sangue, bombeiam as trevas que dão energia ao corpo.

— Ah… E eu achando que não tinha como ficar mais nervoso. — disse nervoso.

— Como eu disse antes: relaxe. Prepare sua espada e vamos entrar.

Puxei o punho prateado do bolso da minha jeans e evoquei mentalmente: Cortapapel! Uma lamina de ferro materializou-se, transformando o punho em uma espada medieval. Cortapapel, foi o nome que dei a minha espada, antes era Linfus, achei o nome brega e mudei.

Drake e eu atravessamos o jardim da casa andando a passos leves. Nos aproximando da porta cada vez mais. Quando chegamos a frente da casa, Drake fez algo que não deveria ter feito: chutou a porta que se soltou e vou com velocidade até bater na parede do outro lado da casa.

— Drake, o que aconteceu com “Movimentos Cuidadosos”?

— Ah, a estratégia era um lixo. Prefiro botar a casa abaixo.

Drake sacou sua espada. Um pouco maior que a minha, de ouro puro. Brilhou e quando entramos, além da luz da lua que entrava pelo buraco no teto, era a única iluminação no local. O pé-direito devia medir uns 7 metros. As janelas eram todas lacradas com tábuas, não tinha móveis na casa. Aparentemente, também não havia muitos cômodos no primeiro andar além do banheiro sem porta e com um vazo semi quebrado. Eu não me sentaria nele nem a pau.

Tinha uma escada que levava para um tipo de sacada interna na casa. O guarda-corpo era feito de madeira e estava quebrado em certos pontos. Parecia que também não tinha cômodos no segundo andar. Apenas um armário enorme. Dois metros por uns quatro metros. Realmente muito grande. O armário reluzia a lustra-móveis, estava inteirinho, parecia ter sido comprado um dia antes.

— Se não morrermos — eu disse. — Tenha certeza que pego esse armário pra mim.

Drake sorriu e disse:

— Ok, agora lembre-se: todo cuidado é pouco. Mantenha-se a tento e nunca, nunca mesmo…

Neste momento, avistei um pássaro negro voando por cima do ombro de Drake. Não sei se foi o meu olhar de surpresa ou o som das asas, mas, aconteceu em segundos, Drake notou. Girou o corpo e fatiou o bicho em dois com sua espada quando este estava a uns trinta centímetros de distância de Drake. Os restos do bicho caíram e se transformaram em um monte de pó.

— Se distraia — completou Drake respirando pesado. — Urubu dos infernos, quase acaba com a minha raça! — Ele virou o pescoço para me olhar. — Isso, é um pássaro de Maya. Tem um veneno tão forte no bico, que se encostar em você, vai matar toda a pele do seu corpo.

— Como ácido? — Perguntei pensativo.

— Não, acido corroeria sua pele. Com o veneno desse nosso amiginho preto, sua pele iria murchar e ter um tom acinzentado. Se entrar na sua carne então…

Ele silenciou-se. Nos encaramos por um tempo. Então ouvimos um gemido do andar de cima. Parecia uma fera brava.

— O vampiro… — Disse Drake.

— Está no segundo andar… — Deduzi. — Dentro do…

— Eu subo e você fica aqui em baixo atento. Qualquer coisa me avise, ok?

— Pode deixar. — Respondi levantando a espada e apertando bem seu punho.

Drake se voltou para a escada andando levemente. A espada de ouro iluminando tudo a sua volta. Pude ver que a escada estava quase destruída, haviam buracos nos degraus e locais que não havia corrimão pois estava quebrado. Drake alcançou a sacada interna e começou a procurar. Recuei um passo e pisei em um graveto e me virei assustado. Prendi a respiração ao ver um garoto de cabelos negros desarrumados e olhos verdes me olhando. Mas era só eu. Aparentemente, atrás de mim, ao lado da porta, havia um espelho enorme que preenchia toda a parede. Devia ter uns sete metros por quatro. Dava pra me ver, e pra ver Drake no segundo andar. Drake! Me virei, levantei a guarda e continuei esperando.

Drake seguia cauteloso em direção ao armário. Fiquei nervoso. Comecei a pensar em coisas que pudessem me acalmar um pouco, como um sorvete de creme com muita calda de chocolate. Drake se aproximou mais um pouco e abriu o armário. Prendi a respiração.

Do armário, que não tinha nenhuma roupa pelo jeito, saiu uma linda garota de cabelos negros trançados. Olhos azuis celestes e um vestido branco com mangas. Era simplesmente linda. Nada que você esteja imaginando agora se compara a beleza da garota que vi.

Drake se endireitou e baixou a guarda.

— O que uma bela garota como você esta fazendo aqui? — Perguntou Drake.

— Fui sequestrada por um ser maléfico. Uma criatura horrenda com garras e presas. Terrível! — A garota tampou o rosto com as mãos. Drake a abraçou solidário.

Me deu raiva de Drake. Como podia ele abraçar uma garota tão linda assim? Eu devia abraçá-la! Me virei e encarei o espelho de braços cruzados.

Foi aí que tremi. Fique espantado demais. Onde devia estar a garota, não havia nada. Drake abraçava o ar! Uma vampira… Sua beleza era tanta que nem suspeitamos o que uma garota tão linda fazia numa casa demolida e mal-assombrada! Fiquei pensando depois, como não notei isso. Mas não tinha tempo de racocinar. Fiz a coisa mais lógica que minha mente mandou fazer. Me virei e gritei:

— Drake! CUIDADO…

Tarde demais. Os olhos da garota que estavam fechados enquanto Drake a abraçava se abriram e ficaram vermelho sangue. As mãos se transformaram em garras que rasgou a carne na cintura de Drake. O Grito dele foi algo que nunca gostaria de ouvir de novo.

Ela se atirou com Drake para o primeiro andar. Quebrando alguns guarda-corpos e caindo com Drake em baixo dela.

Ela se levantou, Drake gemia de dor, a espada ainda em sua mão, mas os ferimentos haviam o deixado fraco demais para lutar. Dali pra frente era comigo. A garota começou a crescer e empalidecer. A boca se tornando maior, as mãos crescendo. De repente me deparei com um bicho de dois metros e meio de altura com a pele branca encardida. Garras enormes, cada uma podia ser uma lamina de espada, uma boca que cabia minha cabeça e a de Drake sem problemas. Repleta de dentes. Os olhos agora eram pequenos e muito vermelhos. As roupas havia se rasgado se transformando em uma saia e um top de farrapos. Uma vampira.

— Benza Deus! — Exclamei.

O monstro me olhou e veio e minha direção. Tentou me acertar com um tapa, mas eu me desviei rolando para o lado. E cravando minha lamina em sua coxa. O bicho urrou de fúria. E me deu outro tapa, dessa vez acertando e me lançando longe. Bati com as costas na parede e caí. Não tinha tempo de sentir dor se quisesse sobreviver. Levantei-me dolorido e ergui novamente minha espada. O bicho me encarou e veio novamente em minha direção correndo como um tigre atrás de uma gazela.

Não havia maneira de vencer aquela desgraça. Analisei o estado da madeira. Então tracei um plano. Dei uma de toureiro. Na última hora, quando o mostro avançava contra mim, rolei para o lado e saí correndo em direção a escada. O bicho entrou com tudo na parede ficando com apenas metade do corpo dentro da casa.

Subi a escada correndo e rapidamente subi em cima do armário do vampiro. Pulei e cai com toda força. Fiz o armário cair junto comigo, era o meu peso e o dele caindo com força sobre a sacada interna. A madeira frágil despencou e eu consegui pular para fora a tempo de não ser soterrado pelos escombros de uma sacada de madeira interna, o vampiro não teve essa sorte, pois ainda estava preso.

Caí e me virei em direção ao estrago que fiz. Uma pilha de uns 2 metros de escombros de madeira podre se encontrava onde antes estava o vampiro. A sacada não existia mais. Corri até Drake que ainda estava caindo e gemendo de dor.

— Drake? — Chamei preocupado.

— Muito bem, Freddy. — Disse ele com dificuldade. Os olhos estavam semi-abertos, os rasgos no, sobretudo deixavam a mostra os rasgos no abdômen. Foi aí que ouvi um barulho que fez meu sangue gelar.

Atrás de nós, a pilha de madeira se erguia e lá estava o vampiro, vampira… Sei lá! Estava repleto de cortes e então entendi o que Drake disse sobre bombear trevas ao corpo. Ao invés de sangue, uma fumaça negra se esvaia do corpo como gelo seco da máquina. As trevas caiam no chão e começaram a encher a casa. O frio era tanto, que senti como se tivesse sentado no gelo do pólo norte com o traseiro nu.

Bem, o vampiro não estava com uma cara muito amigável. Era o tipo de cara que dizia: “Ok, agora irei te comer!” Fiquei assustado, com medo, com raiva, com frio tudo ao mesmo tempo. E aí vi a lâmina de Drake. “Certo, já sei o que fazer.” Pensei.

Apanhei a espada de Drake com uma mão e na outra estava a minha. O monstro rugiu e partiu pro ataque. Eu não esperei. Corri em direção a ele. E quando estávamos a poucos centímetros de nos bater, joguei minha lamina contra o rosto do vampiro, esse desviou sem dificuldade, mas ele não conseguiu prestar a atenção quando dei um pulo e enterrei a espada de Drake no lado direito do peito. O bicho paralisou. Eu retirei a espada e impulsionei com os pés caindo em frente ao vampiro. O vampiro caiu de joelhos e colocou a mão no corte. Brilhou e de repente, me vi encarando a bela garota de antes. As roupas em farrapos, do vestido sobrara apenas um top e uma saia, o que mostrava a beleza dela mais ainda. Digamos que ela era bastante… Hum… Você sabe.

Ela me olhou com os olhos tristes então caiu. Morta. Fiquei com pena de que um desenho de Deus tão bonito como o corpo daquela garota havia sido desperdiçado em uma vampira sanguinária. A garota explodiu em pó, assim como todo o monstro morto.

Eu me virei para Drake, este havia perdido muito sangue e estava desmaiado. Chamei minha espada com a mete: Cortapapel!, e esta veio voando até minha mão. Onde novamente virou apenas um punho de espada.

Corri até o Drake, procurei em seus bolsos até achar um celular. Liguei para o hospital, chamando uma ambulância.

Off Story

•20 de fevereiro de 2010 • 2 Comentários

Bem-vindos ao blog do conto: “Freddy Johnson e os Caçadores de Monstro

O blog tem como objetivo divulgar as histórias sobre as aventuras de Johnsom. Sempre gostei de escrever, embora não faça isso muito bem, espero agradar a todos, mesmo com vocabulário simples e narração em primeira pessoa que, de fato, são minhas maneiras preferidas de narrar uma história.

No mais, desejo a vocês uma boa leitura, e perdoem por alguns erros de português, o Word não costuma cooperar muito comigo! xD

Abraços.

 
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